Menino de dez anos contraria os cientistas e faz em casa, para mostrar na feira de ciências, uma substância capaz de revolucionar (adoro essas coisas!) o mundo.
A primeira vez que ouvi falar de aerogel foi em uma matéria rápida, dessas que os jornais nacionais colocam entre a seção de sangue e a seção de corrupção dos jornais na televisão. Me chamou a atenção o título, alguma coisa como: Fumaça congelada promete mudar o mundo. Muitos meses depois, um amigo me mandou esse artigo. Olhe que o artigo é de 19 de agosto de 2007. Mesmo em nossa escala de tempo da internet podemos dizer que não faz tanto tempo assim.
Aerogel é um material sólido, derivado de uma “gelatina de silício”, onde a parte líquida foi substituída por um gás. Coisa de gente grande como o Sr. Peter Tsou, cientista da Nasa, aí na foto ao lado segurando um pedaço da… coisa.
Como 99% do aerogel é gás a matéria formada é porosa, extremamente porosa com poros de diâmetro nanométrico o que dá a essa matéria características únicas de isolamento térmico e resistência. Lá no artigo do Times, um dos cientistas citados diz que “Uma camada de 18mm de espessura seria suficiente para proteger os astronautas de uma temperatura de -130 graus célsius.” Mas não é só isso. O aerogel está sendo testado também como proteção contra explosões e estrutura de sustentação. Como eu disse, coisa de gente grande. Ou pelo menos deveria ser.
William T. Wood, de 10 anos estava precisando fazer um projeto para a feira de ciência da sua escola em Bakersfield na Califórnia e, em vez de fazer um vulcão ou uma colônia de formigas resolveu fazer aerogel. A história começa em 2002 e se extende até 2003, ou seja. Muito antes desse marmanjo que vos escreve ter ouvido falar do assunto.
Em 2002 ele resolveu fazer um artigo para a feira de ciências falado de aerogel e ficou supreso que das diversas pessoas que lhe deram um momento de atenção, apenas uma sabia do que ele estava falando. Não satisfeito, no ano seguinte o moleque resolveu fazer o aerogel para mostrar a galera (como ele diria se fosse brasileiro).

Usando uma técnica baseada em dióxido de carbono, mais segura, ele foi capaz de recriar em casa o tão preciso aerogel. O processo está descrito em detalhes no artigo.
Eu sei o que você está pensando. Claro que não foi ele! O papai ou a mamãe fizeram e ele está levando a fama. Eu também pensei isso. Esse é o nosso primeiro impulso. Depois, pensei e se fosse o meu filho? Como eu agiria?
Certamente eu iria ler sobre o que ele estava tentando fazer, analisar os riscos e ajudar garantindo a segurança dele e da casa, mas deixaria ele fazer sozinho. Acredito que os pais do William tenham agido da mesma forma.
Espero que as universidades brasileiras se inspirem no William.