Há algumas semanas li o post do "O Fim da Várzea – Brasileiro não gosta de dinheiro" sobre a falta de visão dos empresários brasileiros com relação ao mercado de pornografia. Concordo com o autor, esse mercado é tratado como se fosse "coisa feia", coisas de nossa cultura católica e hipócrita. Finalmente estou tendo tempo para opinar e acrescentar uma história real do mês de maio/2007. Primeiro, concordo em gênero, número e grau com o artigo citado.
Em maio chegou as minhas calejadas mãos uma oportunidade única. Uma empresa cliente dispunha de uma verba para custear uma pesquisa de atendimento em hospitais de países em desenvolvimento. Não vou identificar ninguém envolvido no processo já que o objetivo não é criticar as pessoas mas ressaltar um aspecto da nossa cultura nacional quando falamos de dinheiro e relações empresariais.
Sentei ao computador e disparei algumas dezenas de e-mails e telefonemas para diversos hospitais nacionais em várias cidades, mas principalmente em Curitiba, Florianópolis, Rio de Janeiro e São Paulo. Cidades onde teria maiores facilidades de deslocamento físico se fosse necessário..
O e-mail tinha um texto bem explicativo e direto alguma coisa como:
Prezado Sr. Fulano de Tal, diretor do Hospital Coisa.
Somos uma empresa de consultoria e como tal estamos tentando localizar um parceiro para um projeto, dispomos de uma verba para ser utilizada para custar pesquisas de atendimento em hospitais e gostaríamos de ter sua instituição como parceiros. A verba será utilizada para custear o levantamento das informações que precisamos para criar um sistema de atendimento hospitalar que poderá ser utilizado em países em desenvolvimento. O levantamento será composto de uma série de formulários que deverão ser preenchidos durante o atendimento em um período limitado de tempo para o levantamento dos dados que precisamos A instituição participante, além de participar de um projeto internacional e de receber pelos serviços prestados terá prioridade na aquisição do sistema ou receberá royalties sobre o produto final, ficando a cargo da instituição definir de que forma será participará do produto desenvolvido.
Por favor, se for do seu interesse responda esse e-mail que entraremos em contato para maiores detalhes.
Ao todo, entrei em contato com 56 hospitais, entre e-mails e telefonemas e obtive oito respostas e consegui marcar uma reunião.
Fechando a história: a maioria dos e-mails ou telefonemas foram parar ou na caixa de entrada ou na mesa da secretária dos Srs. Diretores. Desses apenas 8 resultaram em contato direto telefônico com os srs. diretores das instituições. Dos oito diretores contatados, cinco passaram para a área de TI, dois passaram para a área de marketing e um me atendeu.
Os responsáveis das áreas de TI ainda estão pensando sobre o assunto.
Os responsáveis pelo Marketing se mostraram muito interessados e passaram para a área de TI, nesse caso os responsáveis pelo TI também ainda estão pensando.
No caso da reunião marcada onde estava presente o representante da área de TI, fizemos um conference call com a empresa européia, passamos os dados relacionados ao projeto e o representante de TI ainda está pensando sobre o assunto..
Há um caso que merece destaque especial. O Diretor me disse que o responsável pela área de TI estava fazendo um curso e que ele só estaria disponível para avaliar o processo em agosto.
Como o prazo estava curto, e para não deixar de atender o cliente europeu, mandei um e somente um e-mail para um Hospital Argentino que, não sei por que, estava na minha lista de e-mail há muitos anos. O Diretor de lá me ligou 20 min depois, marcou o conference call para o mesmo dia e aprovou o processo na manhã seguinte. Resultado, lá se foi a verba para a Argentina. Destaque-se o e-mail que eu tinha não era mais válido, caiu em um e-mail "pega-tudo" e alguém mandou para o endereço certo.
Moral da História. Se quiser ganhar dinheiro atenda o telefone e responda os e-mails. O representante da área de TI não é a melhor pessoa para decidir sobre as verbas que sua instituição pode receber mesmo que o processo tenha algo a ver com tecnologia. Quando você compra alguma coisa o vendedor pode até ter tempo para esperar, quando alguém quer lhe dar dinheiro é bom receber logo.
Brasileiro não gosta de dinheiro, Argentino Gosta!
Ps. Como o negócio não foi realizado no Brasil, atendi o cliente mas perdi a comissão.





























