Como resultado do terremoto de ontem, 11 de março de 2011, o Japão terá que enfrentar os problemas causados por vazamento de radiação e perda de energia.
Ontem, passei o dia ouvindo rádio, na internet tentando entender uma única frase que uma repórter da Globo dissera logo pela manhã: Uma das usinas nucleares afetadas pelo terremoto não consegue controlar a temperatura do núcleo.
Dito isso eles passaram para as matérias mostrando a devastação causada pelo maremoto. Assim como se não fosse nada.
Ao meio dia escutei uma matéria na CNN da China em Inglês informando que os EUA estavam enviando 3 aviões de material refrigerante para as usinas nucleares do Japão. Foi neste ponto que fiquei perdido. Material refrigerante? Que material refrigerante? Está faltando água no Japão?
Hoje, discretamente, veio a confirmação pelo menos uma usina nuclear foi obrigada a liberar “pequenas quantidades” de material radioativo na atmosfera.
A CNN internacional têm uma excelente matéria sobre isso:
Em linhas gerais, temos um núcleo com material físsil submerso em uma grande quantidade de água. O material físsil é, em última análise uma bomba nuclear cuja explosão é mantida sobre controle através da inserção de materiais moderadores como grafite, por exemplo, que absorve os nêutrons livres. Responsáveis pela fissão. Materiais como o cádmio ou o boro podem ser utilizados para parar a reação completamente.
A água que circula em torno do reator acaba radiativa e fica contida em um ambiente com as mesmas medidas de segurança do reator em si.
A água de resfriamento não sofre qualquer impacto. Mas, é preciso muita água para refrigerar a água usada para rodar as turbinas e gerar eletricidade, por isso estes reatores são construídos perto de grandes rios ou do oceano.
Clique na figura a seguir para ver um esquema do processo ou neste link para ler mais sobre isso.
Se alguma coisa der errado neste controle de temperatura, o reator não explodirá como uma bomba nuclear. Pode derreter e vaporizar o material radiativo e jogar este vapor na atmosfera ou pode explodir como uma panela de pressão e jogar vapor de água radiativa na atmosfera. Em ambos os casos teremos gerações e mais gerações de ratos verdes e crianças deformadas em uma grande área geográfica. Aqui, os ventos e as marés jogam contra a humanidade.
As últimas notícias indicam que os técnicos foram obrigados a abrir as válvulas de contenção de vapor. Ou seja, “pequenas quantidades” de material radiativo já foi liberado na atmosfera.
Já vimos uma explosão de reator, em 1986, em Chernobil. A chuva radiativa atingiu até a Irlanda, um quarto de mundo de distância.
Além dos problemas humanitários, sociais e econômicos que este terremoto trouxe, e que todos estão discutindo abertamente, o Japão terá que enfrentar uma grave redução na oferta de energia.
Três grandes usinas foram afetadas.
Graças ao terremoto, além das usinas propagandeadas pela mídia, outras 8 usinas iniciaram o processo de resfriamento automaticamente durante o terremoto. Em poucos segundos, o material moderador é despejado no núcleo do reator. Justamente para evitar desastres como o que estamos assistindo agora. A idéia é simples. Tremeu? Pode ser grave? Desliga tudo e esfria tudo. Melhor ficar sem luz que morar em um país radiativo.
Estas usinas do Japão, com mais de 40 anos de idade, são usinas de água fervente. A água que envolve o reator ferve e o vapor roda as turbinas e depois é resfriado. Há décadas não fazemos mais reatores como estes. Nas usinas mais recentes a água fica pressurizada e, na verdade, nunca ferve.
Este tipo foi abandonado justamente por ser inseguro.
O material refrigerante que a repórter citou, passou a fazer sentido. Talvez os EUA tenha enviado um carregamento de algum sal de boro e sódio, tetraborato de sódio? Muito útil para matar pulgas, piolhos e reatores de fissão.
Esta substância absorverá a maioria absoluta dos nêutrons livres e tornará o núcleo inútil.
Especialistas acreditam que, se chegamos a este ponto, existem grandes chances que todos os 11 reatores atingidos sejam perdidos para sempre. Uma perda imediata de 20% da capacidade de produção de energia do Japão.
Ps. Lembra da primeira foto deste artigo. Clique nela. A CNN criou uma página do iReport onde os próprios cidadãos do Japão estão colocando vídeos e fotos. Impressiona.
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